Um espaço para dialogar e interagir através de experimentações textuais referentes a Museologia, Memória e ao Patrimônio Cultural!!!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
CASARÕES DE ESTÂNCIA: PATRIMÔNIO ESQUECIDO
Muitos deles foram tombados pelo Estado. No entanto, isto não tem sido suficiente para melhorar a situação dos prédios.
Construções majestosas, de grande valor histórico, erguidas, em sua maioria, no século XIX, estão pedindo socorro, em Estância. Prédios como o da antiga Câmara de Vereadores, no centro da cidade, entre tantos outros exemplos, encontram-se em péssimo estado de conservação. Muitos chegaram a ser demolidos. Outros simplesmente foram ignorados, deixando em risco a identidade de um dos berços culturais de Sergipe.
“Vários casarios antigos, espalhados por toda a cidade, estão se acabando aos poucos. Muitos foram tombados, inclusive ilustram um dos catálogos do Governo do Estado, mas isto não tem sido suficiente. Deveria haver uma política forte, municipal, aliada à estadual, para impedir que coisas assim aconteçam. Em Alagoas, por exemplo, os prédios antigos são utilizados como museus. Aqui, acham que o bom mesmo é demolir”, destaca o radialista Magno de Jesus.
SÓ NO PAPEL
Acaba sendo irônico o fato de o Governo produzir um livro que reconhece a existência de monumentos importantes espalhados por Sergipe e ainda destacar que todos são ‘bens protegidos por lei e tombados através de decretos do (próprio) Estado’. Não é isto o que acontece na prática.
Fachadas com rachaduras, rebocos caindo e estrutura interior pra lá de comprometida são problemas comuns em todas as edificações antigas. “Na Praça Barão do Rio Branco, também no centro, já foram demolidos uns três grandes e importantes casarios. Em um desses momentos, eu estava passando e vi que o pedreiro retirava os azulejos, de origem portuguesa, para vender a outra pessoa. É um absurdo”, denuncia Magno.
O radialista acrescenta que o prédio da antiga Câmara começou a ser demolido pelos fundos. O jornal local divulgou a notícia, a prefeitura tomou conhecimento e interditou a área. “As ruas capitão Salomão e Pernambuquinho também abrigam vários prédios. São todos muito lindos, porém esquecidos. A destruição vem sendo total, infelizmente”, destaca a dona de casa Maria Alves Santos, 32.
Até o fechamento desta matéria, a reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Estância nem com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico nacional – IPHAN – para conversar sobre o assunto. (Edição nº 28/03 a 03 de abril de 2011).
domingo, 20 de março de 2011
A EDUCAÇÃO AFRO-PATRIMONIAL E A EXPOSIÇÃO COMO MÉTODO PARA O SEU DESENVOLVIMENTO
Autoria: João Paulo Cardoso da Silva, Graduando em Museologia pela UFS
Cláudio de Jesus Santos, Formando em Museologia pela UFS
As questões pertinentes a preservação do patrimônio cultural sempre foi uma preocupação constante e marcante dentro do campo da c
iência museológica, podendo ser melhor compreendida na caracterização do fato museológico, o qual Waldisa Russio define como sendo “a relação profunda entre o Homem, sujeito que conhece, e o Objeto, parte da Realidade à qual o Homem pertence e sobre a qual tem o poder de agir” (1990, p.7). É importante salientarmos que a noção de “Objeto” explicitada por Russio refere-se a todos os bens culturais produzidos e transformados pelo homem, não se prendendo a uma visão reducionista do conceito.
Diante dessa relação, torna-se importante ressaltar que a expressão Educação Patrimonial vem se tornando cada vez mais usual na Museologia, sendo utilizada muitas vezes como a sua “porta de entrada” para o desenvolvimento dos seus trabalhos, uma vez que o seu objetivo é preservar. Nesse sentido, vale lembrar que, não foi por acaso que o 1º Seminário organizado para discutir o desenvolvimento das ações educacionais voltadas para o uso e apropriação dos bens culturais e a sua proposta metodológica se deu no âmbito do Museu Imperial de Petrópolis em 1983, no Rio de Janeiro (HORTA, 1999).
A partir do Seminário realizado vários trabalhos vêm sendo elaborados, no sentido de dar continuidade as discussões para o aprimoramento dos recursos metodológicos utilizados para a preservação, identificação e valorização do Patrimônio Cultural através da Educação Patrimonial, conceito o qual Maria de Lourdes Parreiras Horta define como,
(...) um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da auto-estima dos indivíduos e comunidades e a valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural (1999, p.6).
Por meio dessa definição e entendendo que a metodologia da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidencia material, a fim de alfabetizar culturalmente o individuo, aumenta-se a dificuldade dessa alfabetização tornando-se mais complexa quando tratamos da cultura material pertencentes a grupos étnico-racialmente excluídos historicamente, grupos que sofreram e ainda sofrem perseguições, algo que pode ser percebido principalmente no trato com as suas heranças, as quais segundo Raul Lody sempre foram:
(...) comodamente vistas como secundárias e inferiores, (...) ficaram caracterizadas, em especial as de função ritual religiosa, genericamente como fetiches ou objetos de feitiçaria. Essas categorias, abastecidas de elementos da dominação moral cristã, delimitam a cultura material de sofisticados grupos sociais como dos candomblés, xangôs, casas mina-jejê e mina-nagô (2005, p.21).
Partindo da necessidade da distabuzação (CORRÊA, 150), do esclarecimento e da mudança desse pensamento construído sob os arquétipos históricos do negro enquanto escravo, é que torna-se necessário explorar o patrimônio afro-brasileiro de forma mais intensa através da metodologia da educação patrimonial, a qual nos referimos como “educação afro-patrimonial” tendo como finalidade distanciar a história do negro “do ponto de vista oficial”, na qual Rita Amaral diz estar representada como “(...) uma história de escravos, que muitas vezes escamoteia significados e interpreta mais do que explica” (2001, p. 2)
Através do uso dos bens culturais, produzidos pelos africanos e afrodescendentes, abordados dentro da metodologia da educação patrimonial poderemos contribuir para a elaboração de um juízo crítico acerca do patrimônio afro-brasileiro e da sua identidade, incorporando-o dentro do processo de formação do individuo através de uma relação estabelecida.
A metodologia da educação afro-patrimonial (evidenciada pela observação, registro, exploração e apropriação) pode levar os professores a utilizarem os objetos nas salas de aula ou nos próprios lugares nos quais são encontrados, uma vez que nada substitui o objeto real como fonte de informação dentro do próprio contexto histórico. Partindo dos princípios metodológicos da educação patrimonial é que podemos utilizar a exposição como um recurso para desenvolver a ação educativa.
REFERÊNCIAS
AMARAL, RITA A coleção etnográfica de cultura religiosa afro-brasileira do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, São Paulo, v. 10, 2001.
CORRÊA, Alexandre Fernandes. O Museu Mefistofélico e a distabuzação da magia: análise do tombamento do primeiro patrimônio etnográfico do Brasil. São Luis/MA: EDUFMA, 2009, 192p.
CUNHA, Marcelo Nascimento Bernardo da. Museus, Exposições e Identidades: os desafios do tratamento museológico do patrimônio afro-brasileiro. In:___BRUNO, C.
O; FONSECA, A. M. da; NEVES, K.R.F. (Org.)Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento. São Cristóvão: Museu de Arqueologia de Xingó, 2008.
DANTAS, Beatriz G. Vovó nagô e papai branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; Grunberg, Evelina e MONTEIRO, Adriane Queiroz. Guia Básico de Educação Patrimonial. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.
LODY, Raul. O negro no museu brasileiro: construindo identidades. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
GUARNIERI, Waldisa Russio Camargo. Conceito de cultura e sua inter-relação com o patrimônio cultural e a preservação. Cadernos Museológicos, v. 3, p. 7-12. 1990.
HERANÇA QUE NÃO CALA: TERREIRO FILHOS DE OBÁ... A EXPOSIÇÃO COMO FORMA DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO AFRO-PATRIMONIAL
João Paulo Cardoso da Silva
Graduando em Museologia da UFS
E-mail: João-paulo-cardoso@hotmail.com
Cláudio de Jesus Santos
de preto, pois foram colocados em exposição nos museus etnográficos europeus como elementos demonstrativos de inferioridade cultural. Exemplo de que isso vem mudando, são os trabalhos produzidos no Brasil, a fim de valorizar e preservar o patrimônio afro-brasileiro, ações que podem ser melhor entendidas no campo da Educação afro-patrimonial. É dentro desta perspectiva, no campo da educação patrimonial, que analisaremos a exposição HERANÇA QUE NÃO CALA: TERREIRO FILHOS DE OBÁ, realizada pelos alunos do Curso de Museologia do 5º período como pré-requisito de avaliação para a disciplina Museografia III, coordenada pela Professora Bartolimara Daltro. O trabalho tenciona abordardos resultados alcançados com a exposição e a sua contribuição para uma possível aproximação do Campus de Laranjeiras da Universidade Federal de Sergipe e a comunidade laranjeirense.
Vale lembrar que essa é uma das ações promovidas pelo curso de Museologia, sendo desenvolvida como parte integrante do processo de formação dos seus discentes, já tendo em seu histórico a primeira atividade desse cunho, realizada pela turma pioneira 2007/1 com a exposição LARANJEIRAS EM VERSOS, CORES E PATRIMÔNIO, orientada pela Professora Drª. Rita Maia, no período 2009/1.
Tais atividades, realizadas pelo Núcleo de Museologia, vem demonstrando o compromisso com o objetivo do curso, o de “formar profissionais para atuarem no desenvolvimento dos processos de musealização em todas as instituições comprometidas com a preservação e a divulgação do patrimônio cultural” (GUIA ACADÊMICO 2007, p. 9).
Em 1910, Joaquina fundou a Sociedade de Culto Afro-brasileiro Filhos de Obá, que só foi reconhecida como entidade civil em 1947, quando o então substituto de Joaquina, Alexandre José da Silva, seu afilhado, registra em cartório o seu centro de culto, cuja finalidade era “praticar a caridade, desenvolver o lado espiritual dentro dos conceitos dos rituais afrobrasileiros,
e beneficiar todos os necessitados dentro e fora da sede” (DANTAS, 1988, p. 122). Ao registrar os “Filhos de Obá” como instituição, Alexandre tentava escapar das repressões sofridas pelas perseguições policiais (décadas de 30 e 40) que atingiram vários terreiros da cidade.
Alexandre tinha somente 13 anos quando assumiu os cuidados da sociedade, em 17 de janeiro de 1977 e foi durante sua liderança que o centro mais cresceu e teve representatividade na cidade. Ficou no comando até sua morte. Com o falecimento do babalorixá1, a sociedade ficou sem funcionar até 1993, quando a sobrinha e equedi2 Marieta Santos Chagas da Rocha assumiu a direção. Durante o período do fechamento da sociedade, o terreiro continuou a funcionar normalmente sob a orientação de “Dona Cecilinha”, até sua morte no final dos anos 80. Atualmente, quem dirige o centro é a ialorixá3 Ginalva Rocha dos Santos.
PARA O SEU DESENVOLVIMENTO
Diante dessa relação, torna-se importante ressaltar que a expressão Educação Patrimonial vem
se tornando cada vez mais usual na Museologia, sendo utilizada muitas vezes como a sua “porta de entrada” para o desenvolvimento dos seus trabalhos, uma vez que o seu objetivo é preservar. Nesse sentido, vale lembrar que, não foi por acaso que o 1º Seminário organizado para discutir o desenvolvimento das ações educacionais voltadas para o uso e apropriação dos bens culturais e a sua proposta metodológica se deu no âmbito do Museu Imperial de Petrópolis em 1983, no Rio de Janeiro (HORTA, 1999).
A partir do Seminário realizado vários trabalhos vêm sendo elaborados, no sentido de dar continuidade as discussões para o aprimoramento dos recursos metodológicos utilizados para a preservação, identificação e valorização do Patrimônio Cultural através da Educação Patrimonial, conceito o qual Maria de Lourdes Parreiras Horta define como,
(...) um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da auto-estima dos indivíduos e comunidades e a valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural (1999, p.6).
Por meio dessa definição e entendendo que a metodologia da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidencia material, a fim de alfabetizar culturalmente o individuo, aumenta-se a dificuldade dessa alfabetização tornando-se mais complexa quando tratamos da cultura material pertencentes a grupos étnico-racialmente excluídos historicamente, grupos que sofreram e ainda sofrem perseguições, algo que pode ser percebido principalmente no trato com as suas heranças, as quais segundo Raul Lody sempre foram:
(...) comodamente vistas como secundárias e inferiores, (...) ficaram caracterizadas, em especial as de função ritual religiosa, genericamente como fetiches ou objetos de feitiçaria. Essas categorias, abastecidas de elementos da dominação moral cristã, delimitam a cultura material de sofisticados grupos sociais como dos candomblés, xangôs, casas mina-jejê e mina-nagô (2005, p.21).
Partindo da necessidade da distabuzação (CORRÊA, 150), do esclarecimento e da mudança desse pensamento construído sob os arquétipos históricos do negro enquanto escravo, é que torna-se necessário explorar o patrimônio afro-brasileiro de forma mais intensa através da metodologia da educação patrimonial, a qual nos referimos como “educação afro-patrimonial” tendo como finalidade distanciar a história do negro “do ponto de vista oficial”, na qual Rita Amaral diz estar representada como “(...) uma história de escravos, que muitas vezes escamoteia significados e interpreta mais do que explica” (2001, p. 2)
Através do uso dos bens culturais, produzidos pelos africanos e afrodescendentes, abordados dentro da metodologia da educação patrimonial poderemos contribuir para a elaboração de um juízo crítico acerca do patrimônio afro-brasileiro e da sua identidade, incorporando-o dentro do processo de formação do individuo através de uma relação estabelecida.
A metodologia da educação afro-patrimonial (evidenciada pela observação, registro, exploração e apropriação) pode levar os professores a utilizarem os objetos nas salas de aula ou nos próprios lugares nos quais são encontrados, uma vez que nada substitui o objeto real como fonte de informação dentro do próprio contexto histórico. Partindo dos princípios metodológicos da educação patrimonial é que podemos utilizar a exposição como um recurso
para desenvolver a ação educativa.
politicamente precisam ser explicitados, em uma perspectiva
relacionada a um momento histórico, uma produção estética,
um ideal político.
Marcelo Cunha
A exposição curricular, HERANÇA QUE NÃO CALA: TERREIRO FILHOS DE OBÁ, projetada pelos alunos da turma 2008/1, nos possibilitou a presente reflexão acerca da sua abordagem enquanto ferramenta metodológica para o desenvolvimento da educação afropatrimonial. Desenvolvida como uma atividade curricular de avaliação, para a disciplina Museografia III, a mostra fotográfica teve como foco as celebrações religiosas organizadas pelo terreiro de candomblé Filhos de Oba, localizado na cidade de Laranjeiras.
Sob a orientação da Professora Bartolimara Daltro, os alunos tiveram como objetivo apresentar a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Sergipe o patrimônio afrobrasileiro e a sua importância na constituição do patrimônio cultural sergipano.
A partir de um rico acervo, com fotografias da festa de São Lazaro e de Exu, a exposição produziu um discurso afirmativo que explicitou os valores religiosos da comunidade afrodescendente da cidade de Laranjeiras, fugindo da apresentação do negro subjugado e da religião relacionada historicamente a feitiçaria. Ainda acompanhando o acervo fotográfico, alguns objetos foram utilizados para compor a expografia do espaço, a exemplo das representações dos Orixás e dos Exus (representados através das pedras, dos fios de conta e dos ferros), atabaques e plantas medicinais usadas nos rituais do terreiro.
Tendo sua abertura no dia 21 de junho, as 18:00 horas, os alunos receberam a comunidade laranjeirense, em especial os filhos-de-santo, no Campus de Laranjeiras utilizando o recurso de sonorização do ambiente expositivo com toques de atabaques, possibilitando uma maior interação dos visitantes com a exposição.
Através dos recursos expográficos utilizados podemos enxergar de forma clara a sua contribuição para a “alfabetização cultural”, acerca do patrimônio afro-brasileiro, proporcionada pelo poder de comunicação e informação da exposição. O projeto expositivo proporcionou também:
Contribuição para o estreitamento das relações entre a comunidade laranjeirense, em
especial os praticantes das religiões de matrizes africanas, e a Universidade Federal de
Sergipe;
Apresentação do patrimônio afro-sergipano da cidade de Laranjeiras em sua dimensão
histórica e cultural;
Ressaltou a importância da valorização e preservação do Terreiro Filhos de Oba;
patrimônio afro-brasileiro;
Divulgou e apresentou o Curso de Museologia para a população de Laranjeiras
estabelecendo uma aproximação maior com o seu cotidiano.
Dentro da perspectiva da educação afro-patrimonial, e dos objetivos alcançados com a exposição, podemos concluir a sua importância para a compreensão do universo sociocultural do povo africano e afro-brasileiro proporcionado pelo desenvolvimento metodológico da educação patrimonial.
Neste sentido a exposição museológica Herança que não cala: Terreiro Filhos de Obá contribuiu positivamente à medida que ressaltou a importância da religião enquanto um bem cultural significativo na composição do patrimônio sergipano.
A presente atividade desenvolvida pelos alunos do curso de Museologia - bacharelado da Universidade de Federal de Sergipe demonstra a sua efetiva contribuição para a mudança do quadro político-cultural da cidade, estimulando a igualdade de direitos e respeito a diversidade, algo possibilitado pelo planejamento de suas atividades curriculares e de extensão.
NOTAS
REFERÊNCIAS
AMARAL, RITA A coleção etnográfica de cultura religiosa afro-brasileira do Museu de
Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Revista do Museu de Arqueologia e
Etnologia da USP, São Paulo, v. 10, 2001.
CORRÊA, Alexandre Fernandes. O Museu Mefistofélico e a distabuzação da magia: análise
do tombamento do primeiro patrimônio etnográfico do Brasil. São Luis/MA: EDUFMA,
2009, 192p.
CUNHA, Marcelo Nascimento Bernardo da. Museus, Exposições e Identidades: os desafios
do tratamento museológico do patrimônio afro-brasileiro. In:___BRUNO, C. O; FONSECA,
A. M. da; NEVES, K.R.F. (Org.)Museus como Agentes de Mudança Social e
Desenvolvimento. São Cristóvão: Museu de Arqueologia de Xingó, 2008.
DANTAS, Beatriz G. Vovó nagô e papai branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de
Janeiro: Graal, 1988.
HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; Grunberg, Evelina e MONTEIRO, Adriane Queiroz.
Guia Básico de Educação Patrimonial. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, Museu Imperial, 1999.
LODY, Raul. O negro no museu brasileiro: construindo identidades. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2005.
GUARNIERI, Waldisa Russio Camargo. Conceito de cultura e sua inter-relação com o
patrimônio cultural e a preservação. Cadernos Museológicos, v. 3, p. 7-12. 1990.
Universidade Federal de Sergipe. Pró-Reitoria de Graduação. DEAPE. Guia Acadêmico.
DEAPE. São Cristóvão: DEAPE, 2007. 37 p.
sábado, 10 de abril de 2010
A MUSEALIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO SAGRADO: O EX-VOTO COMO RESULTADO DA PROMESSA ALCANÇADA*
Para entender com amplitude a importância da Procissão, mais especificamente os ex-votos, a partir de um olhar patrimonial é imprescindível esclarecer alguns conceitos aqui utilizados. Sendo o primeiro deles o de patrimônio.
De acordo com Françoise Choay, numa definição clássica relacionada à origem da palavra, é possível defini-la a partir de sua ligação com as estruturas familiares, econômicas e jurídicas de uma sociedade estável, enraizada no tempo e no espaço. Sendo hoje requalificada por diversos adjetivos (CHOAY, 2001).
É dentro dessa requalificação que se insere o adjetivo de patrimônio cultural, termo emergente, o qual está relacionado ao
[...] legado que recebemos do passado, vivemos no presente e transmitimos às futuras gerações (...) fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade, sendo de fundamental importância para a memória, a criatividade dos povos e a riqueza das culturas (UNESCO, 2007).
Partindo dessa definição de patrimônio cultural, podemos então perceber a importância da preservação dos ex-votos, entendidos como um testemunho de dimensão social relacionado à fé católica. Resultado de uma promessa cumprida em troca de uma graça alcançada.
Para o Museólogo José Cláudio Alves de Oliveira, professor do Departamento de Museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenador do projeto Ex-votos do Brasil
[...] os ex-votos [...] são documentos. Exposições provocadas por todo o tipo de pessoas- camponeses, trabalhadores, desempregados, turistas, estudantes, ricos e pobres. Refletem a crença, a fé e as atitudes do homem da vida, da doença, da morte, da ambição, da festa, de variados valores sociais, políticos e econômicos. Ao manter (e atualizar) a tradição, essas pessoas se espelham no costume de ir a um ambiente do povo rezar e fazer a desobriga (OLIVEIRA, 2009, p.31)
Daí se explica a importância da sua musealização, como forma de capturar essa realidade, a qual, por definição, segundo Waldisa Rússio (199?), implica na preservação dos testemunhos do homem e do seu meio, traços, vestígios ou resíduos que tenham significação, preocupando-se com a informação trazida pelos objetos em termos de documentalidade e testemunhalidade.
Sob a ótica de Ivo Maroevic (1997), a razão da musealização do patrimônio cultural é movida pelo valor da musealidade, representada pela propriedade que tem um objeto material de documentar uma realidade, através de outra realidade: no presente, é documento do passado, no museu é documento do mundo real, no interior de um espaço é documento de outras relações espaciais.
Sendo assim, ao reconhecer a importância da preservação dos ex-votos dentro da sua realidade, que se concretiza com a sua musealização, a Ordem Terceira do Carmo não está preservando apenas a materialidade das promessas alcançadas por parte dos romeiros da Procissão do Senhor dos Passos – ainda que seja essa a primeira intenção –, ela preserva também juntamente com os ex-votos toda a imaterialidade dos traços culturais do povo sergipano que se manifesta através da sua devoção a um patrimônio que também é sagrado.
CHOAY, Françoise. (2001). A Alegoria do patrimônio. São Paulo: Ed.UNESP
MAROEVIC, Ivo. O papel da musealidade na preservação da memória. Tradução Tereza Scheiner. Texto apresentado no Congresso Anual do ICOFOM – Museologia e Memória. Paris, Zegred, 18 de Febrero de 1997.
OLIVEIRA, José Cláudio Alves de. Forma e conteúdo. Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 4, nº 41, fev. 2009, p. 30-31.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (2007). Disponível em:
RUSSIO, Waldisa. Conceito de Cultura e a sua inter-relação com o patrimônio cultural e a preservação. Instituto de Museologia de São Paulo – FESP. (199?)
*Capítulo do Artigo DA TEATRALIZAÇÃO A MUSEALIZAÇÃO DA FÉ: A PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS EM SÃO CRISTÓVÃO/SE apresentado na VII Semana de Ciêcias Sociais da UFS. Realizada entre os dias 13 e 16 de Abril de 2010.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
DO OBJETO AO DISCURSO EXPOSITIVO: A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NO MUSEU AFRO-BRASILEIRO DE SERGIPE
RESUMO:O presente trabalho tem como proposta fazer uma leitura reflexiva do discurso expositivo presente no Museu Afro-brasileiro de Sergipe através dos objetos (patrimônio históricocultural) representativos da identidade afro no intuito de compreender de que forma e como ele (re) constrói a imagem do negro na contemporaneidade. Para tanto, o estudo analisa a sua coleção museológica e a museografia utilizada na construção do cenário museal dialogando também com algumas referências textuais. Os dados obtidos levam a conclusão de que o museu abastece o discurso da história cultural dos afrodescendentes em Laranjeiras, mas também constrói e reforça representações pautadas em valores escravocratas limitando e direcionando as possibilidades de interpretações dos seus visitantes.
Trabalho apresentado no SEMINÁRIO DE ESTUDOS CULTURAIS, IDENTIDADES E RELAÇÕES INTERÉTNICAS promovido pelo GERTS, Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas: SÃO CRISTÓVÃO, DIAS 05, 06 E 07 DE AGOSTO DE 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
AQUI O PATRIMÔNIO TAMBÉM É POESIA!!!
Terra das lindas palmeiras,
Adoro tudo que é teu;
Admiro os belos prados
E adoro os lindos trinados
Das aves que Deus te deu.
...
Adoro tua matriz
Onde a velhinha feliz
Vai rezar o seu rosário;
Amo teu belo cruzeiro
Que lá no cimo do outeiro
Nos faz lembrar o Monte Calvário.
...
Amo os sinos maviosos
E os teus jardins olorosos
Que te dão tanta beleza!
Amo as igrejas dos montes
Amo as tuas velhas pontes
Que fazem lembrar Veneza.
...
Amo a vista deslumbrante
E a brisa acariciante
Do morro do Bom Jesus;
O Serra – velho idoso,
E o mês de doloroso
...
Adoro os velhos sobrados,
Onde nos tempos passados
Se cultivava o lirismo;
E os bancos da conceição
Onde sentou-se a paixão
No tempo do romantismo.
...
...
Minh’alma também é louca
Por ti, cidade barroca,
Residência do saber;
Terra de João Ribeiro [e João Sapateiro],
Meu amor é verdadeiro
E te adoro até morrer
Referência das imagens: Acervo particular